Galeria e Experiências

Fiesta de los muertos

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A Fiesta de los muertos  (México) poder ser vista, percebida, apreciada, sentida como portadora de uma linguagem paradoxal. O tempo da vida e da morte, do homem-corpo e alma, da forma e do efêmero, da luz e da treva, da chama e da escuridão, do dia e da noite.

Tempo de um impassado, de um  não-tempo, no qual a morte não se torna lembrança ou passado. Suspensão da ausência da morte. Ela se presentifica pela visita dos mortos, que voltam para mostrar que não podem ser esquecidos. Os vivos se instalam na morada dos mortos – os cemitérios – para com eles terem mais um encontro, oferecendo o que eles mais apreciavam em vida. Para evitar esse provável apagamento do outro, preparam uma festa: a festa dos mortos.

Fernando Ricardo e Marilene Bitencourt captaram esse paradoxo no instante de um tempo. As fotografias desta exposição nos fazem transeuntes deste tempo passado-presente ou, deste encontro num momento de um tempo eternamente presente. Imagens que convocam nossa vida e nossa morte. Morte como um registro, quem sabe como lembrança, como um traço impregnado.

Imagens de fragmentos de momentos que impedem a dor da separação real. A dor da perda fica suspensa para se comemorar a alegria do reencontro com alguém que jamais foi perdido.

Esta linguagem pela fotografia conecta-se à sensibilidade e à precisão do momento que se instala entre o olho, a alma e o objeto externo. A morte avizinha-se da festa que torna-se expressão de uma imortalidade. Talvez de um tempo não perdido. Imagens de um naturalismo que pode se transformar aos nossos olhos… ou não.

 

Luciane Falcão

Novembro de 2016

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